Paisagens Algorítmicas

Paisagens Algorítmicas  2020
Instalação interativa, projeção mapeada.
Matheus da Rocha Montanari

O projeto Paisagens Algorítmicas investiga diferentes dimensões da paisagem urbana, levando em conta a camada algorítmica que a constitui. Mais do que um pano de fundo onde a ação acontece, a paisagem é discutida como algo na ordem de ação, contemplando dimensões espaço-temporais que encapsulam uma série de elementos físicos, culturais, tecnológicos e estéticos. Entendemos que com uma lógica algorítmica crescente que permeia o mundo, especialmente a Inteligência Artificial, temos que levar em conta estes elementos como agentes e constituintes da paisagem. 


Estes tipos de sistemas têm formas específicas de operar, principalmente na predição baseada em dados. Para este projeto, subvertemos dois sistemas que operam com filtragem colaborativa para sugestão de conteúdo: Spotify e Google Maps.


O projeto se desdobra em três etapas.


A primeira parte é uma performance que culmina em uma caminhada algorítmica em duas cidades diferentes: Paris, França, e Caxias do Sul, Brasil. Esta ação produz mais de 10.000 imagens que são utilizadas como um conjunto de dados para o trabalho.


Durante a performance, faço uma deriva algorítmica guiada por um sistema de sugestão de música. Ando pelas ruas ouvindo as músicas que a plataforma me sugere com base no perfil que criou a partir dos meus dados. Se o algoritmo sugere uma música que eu gostei, eu viro na próxima rua à direita. Se o algoritmo sugerir uma música que eu não gostei , eu viro na próxima rua à esquerda. Desta forma, faço uma rota e um mapeamento incomum da cidade, enquanto gravo tudo em fotos e a trilha geo-localizada do aplicativo GPS.


A segunda parte consiste na análise destas imagens por um software de aprendizagem de máquina criado para este trabalho. Este software faz uma pesquisa inversa de imagens no conjunto de dados e encontra os locais mais similares nas duas cidades diferentes.


Com estas seleções, criamos uma coleção de imagens que aproximam dois lugares geograficamente distantes a partir de um ponto de vista algorítmico.


Em seguida, as imagens são impressas com uma técnica específica em folhas de acrílico, que mantém o pigmento semi-úmido. Quando as diferentes chapas de acrílico se encontram, as imagens se combinam, trazendo à tona a imagem do que existe entre elas, e revelando a paisagem algorítmica.
Estas imagens são então escaneadas e transformadas em um frame de vídeo.

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