Meu desejo é   

  ser

tocado

Meu desejo é ser tocado  2017
Instalação Interativa
Matheus da Rocha Montanari

Indivíduos cercados por telas touchscreen, sedentos por toque.

A instalação consiste em uma projeção mapeada sobre um colchão, e um tablet. No Tablet, um aplicativo está rodando: a princípio uma tela preta com a frase: “Meu desejo é ser tocado”.  Se o visitante tocar na tela do tablet, uma montagem de imagens de aplicativos de namoro e pinturas renascentistas de Adão e Eva é gerada. Acompanhando a montagem, o som de uma voz mecânica e impessoal declama confissões de desejos coletados online anonimamente. No momento em que o visitante interrompe o toque físico, a voz silencia e a tela preta com a frase inicial retorna, aguardando o próximo contato.

Adão e Eva no paraíso reconheceram e sucumbiram ao desejo do fruto proibido. No momento em que comeram, perceberam que estavam nus e tiveram vergonha de seus corpos, cobrindo-os. Desde então, contamos com uma longa história de censura cultural do corpo, explícita nos conteúdos visuais ao longo da história da arte, até mesmo na representação desse acontecimento bíblico. Mas, mais do que isso, o que podemos relacionar da história à nossa contemporaneidade é a censura dos nossos desejos.

Hoje, temos uma maneira diferente de explorar algumas dessas relações. Nosso contato diário com os computadores nos permite interações censuradas, usuários anônimos com acesso a quase tudo e a todos. Em aplicativos de namoro, há uma nova relação de censura. Não é mais a genitália que está oculta, mas os rostos. Sem eles, os usuários se sentem seguros e mais dispostos a explorar seus desejos anteriormente censurados. A tecnologia da representação mudou, da pintura à fotografia digital, mas a censura do corpo na tela permanece.

Aplicativos de namoro são extremamente populares, especialmente entre a comunidade LGBTQIA+ brasileira que, vivendo em um dos países mais LGBTQIA+ fóbicos do mundo, busca maneiras de desenvolver relacionamentos preservando sua segurança. Com o distanciamento permitido pelo anonimato, o usuário se sente mais seguro para explorar aspectos de si mesmo que muitas vezes são censurados na vida social, porém, os aplicativos de namoro acabam deixando os usuários privados de uma experiência pela qual anseiam: o toque.


Nesse sentido, a instalação propõe uma interação em que o indivíduo precisa se sentar ou deitar na cama para alcançar o tablet conectado à tomada. A cama é um ambiente de contato íntimo, consigo e com o outro. Os interatores passam a conversar com as palavras de desconhecidos, mas que naquele momento compartilham uma conexão, revelando seus desejos de forma anônima.

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